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“A taxa Selic é o veneno da economia”. Entrevista especial com Amir Khair – abril – 2014, 2p.

Torna-se cada vez mais importante sistematizar e divulgar as informações sobre a imensa deformação do nosso sistema econômico através da taxa Selic elevada e dos juros praticados pelos bancos comerciais e pelos crediários do comércio. O volume de recursos desviados do que poderiam ser investimentos públicos e políticas sociais, de poupanças nossas esterilizadas em aplicações financeiras quando poderiam fomentar atividades econômicas, bem como a esterilização da capacidade de compra da população pelos crediários com juros exorbitantes, leva ao triplo travamento da economia, pelo lado das políticas públicas, do investimento privado e da capacidade de compra da população. A mudança das regras do jogo na área financeira está se tornando uma questão central para o nosso desenvolvimento. A entrevista de Amir Khair ajuda muito nesta compreensão. (L. Dowbor)

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9 de abril de 2014 at 12:03 Deixe um comentário

The decision on Major Issues Concerning Comprehensively Deepening Reforms in brief,China Daily – november – 2013, 12p.

A China evolui para uma “mix” cada vez mais sofisticado e pragmático de orientações políticas e econômicas. Pelo peso da China, vale a pena entrar no detalhe, que aparece no documento, que Martin Wolf, do Financial Times, chamou recentemente de “o modelo para as reformas em curso” na China.Vale a pena dar uma olhada no documento original. É sempre melhor do que os comentários.

Na parte de “princípios”, o documento se refere à orientação geral para uma “economia socialista de mercado”, e à necessidade de avançar para uma institucionalização da democracia socialista, sob liderança do Partido Comunista da China. Trata-se de respeitar o “sistema nuclear de valores socialistas”, e de desenvolver uma “civilização eco-consciente”. Estes princípios deverão guiar a China rumo a 2020. Em termos econômicos e institucionais, trata-se de manter o papel central do setor público, mas permitindo vários tipos de propriedade: “O sistema econômico da China se apoia na propriedade pública servindo como sua estrutura principal mas permitindo o desenvolvimento de todos os tipos de propriedade. Tanto a propriedade pública como não pública são componentes-chave da economia socialista de mercado”. Trata-se portanto de uma “economia de propriedade diversificada” (diversified ownership economy). As diversas formas de propriedade “terão assegurado igual acesso a fatores de produção, concorrência aberta e justa no mercado, e a mesma proteção legal e supervisão”. A importância do documento, aqui na sua versão abreviada, é que no detalhamento das medidas, que vão desde a propriedade intelectual até a gestão do sistema público, desenha-se a organização e gestão de um país que busca resultados mais do que pureza ideológica. Para o bem ou para o mal, é o que está sendo construído, e o documento representa uma boa ferramenta de trabalho. (L. Dowbor)

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2 de abril de 2014 at 16:07 Deixe um comentário

Ladislau Dowbor – Producers, intermediaries and consumers: the price chain approach – fevereiro – 2014, 15p.

Production chains are becoming more complex, with the different tiers frequently belonging to different corporations, and located in different regions or countries. Between the original producers and the end consumer, there are a growing number of commercial, financial and legal intermediaries who tend to make it more difficult to understand how successive tiers of the production chain are reflected in value added and corresponding prices. This paper suggests that more research be concentrated on the price chain that accompanies the production chain, which would give a clearer picture of where inflation is generated, where major irregularities and oligopoly price fixing may be found, as well as where the procyclical reactions take place, generating instability. Therefore, we shall analyze the concept of the price chain, the dynamics of the production chain control, the power of intermediaries – taking the example of commodity traders – and the role of financial intermediation. The final part of the paper presents the impact on wealth concentration, and the need to improve our understanding of the price formation process, in addition to the traditional measurements of inflation. (L. Dowbor)

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17 de fevereiro de 2014 at 12:24 Deixe um comentário

Clemente Ganz Lúcio, Paulo Jager, Frederico Melo – Para dobrar é preciso distribuir – janeiro – 2014, 25p.

O DIEESE no brinda com excelente estudo sobre estratégias para o nosso desenvolvimento, visão do lado dos trabalhadores. Parte dos dados básicos, como o fato de que dos “47,5 milhões de empregos formais, 72,9% remuneravam seus ocupantes em valores correspondentes a até 3,0 salários mínimos, sendo mais da metade, a até 2,0 salários mínimos (Tabela 5).”, focando também a rotatividade (impressionante),a heterogeneidade tecnológica e os desníveis regionais para elencar propostas que envolvem desde políticas tecnológicas mais abrangentes até o papel do desenvolvimento local e das novas oportunidades em setores como cultura, esporte e semelhantes. Um texto refrescante, pé no chão, uma boa ferramenta de trabalho. (L. Dowbor)

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29 de janeiro de 2014 at 10:49 Deixe um comentário

Oxfam Briefing paper – Working for the Few – janeiro, 2014, 34p.

A Oxfam-UK publicou um excelente estudo sobre a desigualdade no planeta e em vários países. O tema foi adotado como central na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos 2014, foi declarado como principal norteador político na virada do ano pelo Obama, até bilionários estão declarando que deveriam pagar impostos de maneira mais séria. Haverá uma mudança de rumos em curso? O texto da Oxfam, 34 p., está em inglês, francês e espanhol, e constitui uma sistematização impressionante dos dados da desigualdade, combinando tanto a desigualdade de patrimônio (net household wealth) apoiando-se na pesquisa do Crédit Suisse, como dados recentes de concentração de renda, e apresenta em particular dados sobre a apropriação dos processos decisórios dos governos pelas grandes corporações (political capture), o que gera um contexto mais favorável ainda à concentração de renda, processo que se retroalimenta. Uma ótima ferramenta de trabalho. (L. Dowbor)

Introdução geral e links aos textos: http://www.oxfam.org/en/policy/working-for-the-few-economic-inequality

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22 de janeiro de 2014 at 22:06 Deixe um comentário

Gar Alperovitz – Nationalize Banks That Overwhelm Regulation – janeiro – 2014, 1p.

Os desmandos dos grandes bancos já não estão por demonstrar. Uma coisa é a crise de 2008 e a imensa pressão para se cobrir rombos especulativos com dinheiro público, ação que até hoje trava as economias desenvolvidas. Os Estados Unidos se safam em parte irrigando a economia com dólares emitidos, eles que estão protegidos do impacto de desvalorização pelo fato da moeda deles ser internacional e o impacto de impressão do papel se diluir pelo planeta afora. Mas indo além desta crise, temos a manipulação do Libor e do Euribor, lavagem de dinheiro em grande escala do HSBC, a gestão de dinheiro de evasão fiscal (20 trilhões de dólares segundo o Economist, cerca de um terço do PIB mundial) pelos 28 bancos “sistêmicamente relevantes”, indo até fraudes generalizadas com cartões de crédito e semelhantes. Gar Alperovitz participa aqui de um debate no New York Times, em que se coloca o problema que vai além do “too big to fail”: são grandes demais, têm vínculos políticos demasiado poderosos e extensos para que sequer sejam regulados. Manejam inclusive um volume de recursos que ultrapassa largamente a sua capacidade de gestão racional e de uso produtivo para a sociedade. As nacionalização dos gigantes financeiros mundiais, já operada com ótimos resultados em numerosos países, está colocada na ordem do dia neste debate no New York Times. Impressionante também, nos comentários de leitores, a que ponto a necessidade de mudanças estruturais de fundo no mundo financeiro está se tornando politicamente natural. (L. Dowbor)

»Read my contribution, “Nationalize Banks That Overwhelm Regulation”

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14 de janeiro de 2014 at 11:22 Deixe um comentário

Stiglitz e a responsabilidade corporativa – Dez. 2013, 4p.

No 2013 UN Forum on Business and Human Rights, em 3 de dezembro de 2013, Joseph Stiglitz apresentou uma visão dura e realista do comportamento das corporações, tanto do ponto de vista da diluição de responsabilidades frente aos abusos cometidos, como da apropriação dos legislativos para torcer as leis em sua vantagem, criando a sua própria legalidade. Em 4 páginas, uma das melhores avaliações que tenho lido sobre o problema que toca afinal ao comportamento do principal vetor de poder hoje no planeta. O texto vai além do imenso avanço que já representaram os “Guiding Principles” coordenados por John Ruggie (ver http://dowbor.org/2013/10/john-gerard-ruggie-just-business-multinational-corporations-and-human-rights-w-w-norton-new-york-ouctober-2013-3p.html/ ). O Estado e formas mais incisivas de regulação precisam estar presentes em outro nível. (L. Dowbor)

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Para uma análise em espanhol:

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13 de dezembro de 2013 at 11:30 Deixe um comentário

José Fernando Pérez Oya – La obstinación de las políticas Neoliberales en Europa y España y sus crasos errores – dic – 2013, 3p.

Os estudos de José Fernando Perez-Oya trazem ao mesmo tempo a visão geral das discussões sobre os desequilíbrios macroeconômicos da União Europeia, e a preocupação específica sobre a situação da Espanha, submetida não mais ao consenso de Washington, mas a um “Consenso de Berlim”. “Prefiero pensar que las decisiones corresponden a un Consenso de Berlín, sucesor del Consenso de Washington, que impone a los países más pobres una política clasista de bajos salarios y de desindustrialización, favorable a un Hegemón regional o a nuevas formas de múltiples imperialismos estratificados hegemónicamente.” (L. Dowbor)

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9 de dezembro de 2013 at 12:24 Deixe um comentário

O protesto nas universidades por um no ensino da economia – dezembro – 2013, 3p.

No seu “Em Busca de um Novo Modelo”, de 2002, Celso Furtado escrevia que “a evolução das estruturas de poder no capitalismo avançado escapa aos esquemas teóricos que herdamos do passado”. Sobre o estudante de economia, “haverá lido de forma assistemática muito material sobre desenvolvimento econômico, conquanto nem sempre tenha encontrado conexão clara entre essas leituras e a realidade”. Gentileza do Celso, este “nem sempre”. O divórcio entre o que se ensina e a realidade a interpretar é profundo. O artigo abaixo aponta o movimento de mudança, quando não de revolta que está se gerando. Às iniciativas mencionadas, podemos acrescentar o New Economics Foundation, Alternatives Economiques, Real World Economics e outros movimentos e núcleos de pesquisa. Muito saudável este retorno à um ensino da economia que pense os “outcomes”, os resultados finais que desejamos, e não só os “ouputs”. (L. Dowbor)

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3 de dezembro de 2013 at 16:53 Deixe um comentário

Dominic Rushe – JP Morgan Chase agrees record $13bn settlement charges over toxic mortgages – novembro – 2013, 2p.

JP Morgan vai pagar 13 bilhões de dólares de multas por diversos tipos de fraude. A multa é dividida entre fraudes contra o sistema financeiro, defraudamento de clientes, ilegalidades com o fisco e outras práticas. Nada de muito novo para quem acompanha o comportamento dos bancos, mas um bom exemplo, didático, de a que ponto chegaram os mecanismos de apropriação de dinheiro através de mecanismos financeiros hoje sem regulação. Significativo também que desta vez o “settlement” via pagamento de multa não envolva prescrição das responsabilidades judiciais, como normalmente ocorre. Texto simples e didático, bom instrumento de trabalho para quem ensina ou quer compreender mecanismos financeiros. (L. Dowbor)

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21 de novembro de 2013 at 10:59 Deixe um comentário

Occupy.com / By Andrew Gavin Marshall – Meet the Elites Inside the $4 Trillion Global Powerhouse Bank of JP Morgan Chase – nov – 2013, 1p.

Esta pequena apresentação das articulações do grupo JPMorgan Chase permite deslocar a análise dos grandes grupos financeiros como “bancos” para uma compreensão sistêmica da força geopolítica que representam. Esta visão de um grupo particular coincide muito com a visão mais ampla dos 147 grupos mundiais que controlam, diretamente e através de conexões cruzadas 40% do sistema corporativo mundial, conforme a pesquisa do Swiss Federal Institute of Technology (ETH na sigla em alemão) de Zurich http://dowbor.org/2012/02/a-rede-do-poder-corporativo-mundial-7.html/ A osmose das esferas de poder econômico-financeiro e do poder político coloca claramente em dúvida o peso do voto nos processos democráticos. Não há democracia nos processos decisórios dos grandes bancos, e sequer obrigação de transparência. (L. Dowbor)

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12 de novembro de 2013 at 15:22 Deixe um comentário

Hazel Henderson – Enacting and Telling the new story – september – 2013, 4p.

Com o tipo de desafios que enfrentamos, o aquecimento global, desperdício e esgotamento de recursos, desigualdade crescente, caos financeiro, temos de evoluir para uma visão renovada. É uma era de crise civilizatória. Hazel Henderson vem construindo um novo paradigma baseado em processos colaborativos, reorientando os potenciais tecnológicos e os recursos financeiros. É uma visão humanista que envolve um novo equilíbrio de gênero, um novo equilíbrio entre atividades comerciais e não-monetárias. Artigo curto mas que marca um deslocamento de visão, uma nova história. Nesta era, sonhar é preciso. Imaginar que o mercado resolve é que é sonho irresponsável. (L. Dowbor)

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19 de setembro de 2013 at 9:04 Deixe um comentário

Kofi Annan – G20: how global tax reform could transform Africa’s fortunes – september – 2013, 3p.

Vejam excelente e breve resumo de Kofi Annan sobre as ilegalidades praticadas por corporações transnacionais na África, em particular o “transfer mispricing”, preços fictícios artificialmente baixos nas exportações de matérias primas africanas, para pagar menos impostos. Junto com o sistema de paraísos fiscais e empresas laranja, o sistema custa $38 bilhões de dólares ao continente, mais do que a soma das ajudas e investimentos externos. O sistema é planetário. O Brasil tem estimados 520 bi de dólares em paraísos fiscais. (L. Dowbor)
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5 de setembro de 2013 at 16:55 Deixe um comentário

Joshua Schneyer – Corrected: Commodity Traders: The trillion dollar club – september – 2013, 19p.

A crise, com as suas perturbações e o empurra-empurra de culpas e revelações, está nos permitindo ver bastante melhor como funciona a economia capitalista realmente existente. O estudo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica desenhou o mapa do controle de 737 grupos sobre 80% do mundo corporativo mundial. O estudo do Tax Justice Network, e o dossiê do Economist mostraram que os recursos em paraísos fiscais, e geridos pelos grandes bancos, representam entre um terço e metade do PIB mundial. Até o Financial Times mostra como se generalizaram as práticas ilegais no mundo dos intermediários financeiros. O texto abaixo, sobre os Commodity Traders, mostra uma dimensão importante e particularmente significativa para o Brasil, desta globalização deformada: o mundo dos traders em commodities (grãos, energia, minérios, os produtos básicos das nossas economias). As páginas iniciais mostram claramente como se formam os preços destas commodities: “Most commodity buyers in the world are price takers. The top trading firms are price makers”. Naturalmente, ninguém em sã consciência poderia acreditar de que flutuações do barril de petróleo entre 17 e 140 dólares em poucos anos estariam refletindo oscilações da oferta e da procura, ainda que esta seja a razão quase sempre apresentada pela mídia. Aqui, os mecanismos ficam explicitados. Na segunda parte do documento são brevemente analisados os 16 principais grupos que controlam o sistema. Aliás, grande parte com sede em Genebra, com proteção do segredo bancário. Estes grupos de intermediação hoje realizam lucros incomparavelmente mais elevados do que produtores. E passam a deter um imenso poder político e de fixação especulativa de preços. O artigo é publicado pela Reuters, o que tira qualquer desconfiança de que se trate de ataques a corporações. Joshua Schneyer, que assina o artigo, apóia-se em trabalhos de 15 pesquisadores em diversas partes do mundo. Originalmente publicado em 26 de outubro de 2011, o artigo é extremamente atual. Uma dimensão essencial da economia mundial não obedece nem a mecanismos de mercado (equilíbrios oferta e procura), nem a mecanismos de regulação multilateral. É o mundo dos grandes fluxos especulativos, que reforçam os movimentos pro-cíclicos dos sistemas financeiros. (L. Dowbor)

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2 de setembro de 2013 at 18:23 Deixe um comentário

Christian Comeliau – Situar melhor a economia na sociedade – julho – 2013, 15p.

Resolver os problemas da economia a partir da própria economia está cada vez mais problemática. Christian Comeliau, neste texto de poucas páginas, esboça o óbvio: a economia só se resolve ao resolvermos ancorá-la nos objetivos mais amplos da sociedade, na sustentabilidade, no bem viver, na sociedade mais harmoniosa porque menos desigual. Ao recolocarmos no centro da pauta os objetivos reais da sociedade e dos indivíduos, a economia volta a um lugar mais modesto, e a principal deformação da atualidade, que é a dominância esmagadora das dinâmicas econômicas sobre tudo mais, pelo movimento próprio e pela dimensão de apropriação do poder político e cultural. Emerge da análise de Comeliau uma visão muito mais clara deste conceito fugidio, o “desenvolvimento”, no sentido mais pleno. Um belo trabalho, de um cientista muito experimentado. A tradução do francês é de Fernando Kolleritz. (L. Dowbor)

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29 de julho de 2013 at 18:19 Deixe um comentário

Robert Skidelsky – Stimulus, not austerity, is the key to global economic recovery – july – 2013, 3p.

Skidelsky, nesta nota para o Guardian (em inglês) nos traz uma visão que vai além de se recuperar os equilíbrios econômicos – resgate das contas macro através da austeridade, ou dinamização da economia pela política keynesiana através do estimulo à demanda – ao lembrar que não se trata, nesta crise, de um problema de defeitos no funcionamento, e sim de causas ligadas ao próprio processo produtivo. Saímos aqui do universo estreito de “economics” para a visão mais ampla da economia política. Trata-se de rever o que produzimos, para quem e com que impactos. Nota curta mas de muito bom senso (L. Dowbor)

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2 de julho de 2013 at 12:26 Deixe um comentário

Duncan Campbell – How ICIJ’s Project Team Analyzed the Offshore Files – june – 2013,6p.

Uma dimensão detalhada das pesquisas sobre os paraísos fiscais surge recentemente com os dados da ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists). Baseado em Washington, o ICIJ organizou um time de 86 jornalistas de 46 países, uma das maiores parcerias internacionais de investigação na história do jornalismo. Desenvolveu um sistema sofisticado de comunicações e armazenamento protegidos, e conseguiu, de fontes ainda secretas, 200 giga de documentos de vários paraísos fiscais (a fuga de documentos do pentágono para o Wikileaks foi de 2 giga). Os resultados são impressionantes, pois conseguiram cerca de 2 milhões de nomes de laranjas (nominees), de e-mails, ordens de transferência, documentos de identidade, relatórios internos, instruções de clientes e semelhantes. O mapeamento, ainda em fase inicial, traça um novo mapa financeiro mundial. Por exemplo, relativamente ao round-tripping constatou-se que em termos de volume financeiro, a segunda maior fonte de fluxos financeiros  para a China é o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, enquanto uma grande fonte de fluxos para a Rússia é Chipre.[1]

E passam a aparecer, naturalmente, nomes. britânicos, americanos, a filha do notoriamente corrupto ditador Ferdinand Marcos das Filipinas, o tesoureiro da campanha política do presidente da França, a baronesa Carmen Thyssen-Bornemisza, viúva do Thyssen bilionário do aço na Alemanha, russos, canadenses…Aguardamos, naturalmente, notícias brasileiras. O ICIJ montou um grande aparato de catalogação, ordenamento e análise da imensa base de dados. Os nomes revelados, segundo a entrevista de um dos membros da rede, resultam do fato que os dados sobre estas pessoas já são razoavelmente seguros.

A nós interessa aqui a compreensão do conjunto que emerge de pesquisas diversas, tecnicamente e ideologicamente insuspeitas, e que chegam a resultados absolutamente convergentes. Vimos a pesquisa do ETH que mostra os monstros financeiros planetários criados, grandes demais para sequer se administrar, e poderosos demais para serem controlados. A pesquisa da rede TJN de justiça tributária, que chegou a vazamentos não declarados de recursos da ordem de 21 a 32 trilhões de dólares, entre um terço e metade do PIB mundial. O relatório do Economist, absolutamente insuspeito de qualquer visão que não seja conservadora, e que corrobora os dados de James Henry da TJN, e mostra que se trata de recursos formalmente declarados em paraísos fiscais, mas administrados nos Estados Unidos, em Londres e praças europeias, e por bancos internacionais que estão no centro da crise. E vemos o início dos resultados de três anos de jornalismo investigativo em larga escala lançado pelo projeto da ICIJ. onde os bancos, as praças financeiras, os métodos e os montantes encaixam-se perfeitamente, nesta fase de abertura dos arquivos, com o que revelam as outras pesquisas. (L. Dowbor)

[1] Os dados aparecem na pesquisa do ICIJ, ver  www.icij.org/offshore/how-icijs-project-team-analyzed-offshore-files

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25 de junho de 2013 at 12:01 Deixe um comentário

ECA new strategic directions for the transformative development of Africa – Note by the Executive Secretary – march – 2013, 6p.

Criou-se uma articulação entre três instituições de primeira importância, a Comissão Econômica para a África (UNECA), a União Africana (UA) e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Junta-se assim a capacidade de informação e análise, a base política e a capacidade financeira. Ou seja, criou-se, incorporando iniciativas anteriores como a NEPAD, um instrumento de orientação pan-africana das iniciativas de cada país. Isto é vital para um continente onde as infraestruturas e circuitos comerciais nasceram fragmentados e centrífugos, cada país dispondo por exemplo de uma ferrovia ligando a região de exploração de recursos com o porto de exportação, mas com quase nenhuma articulação interna. Bons ventos estao soprando, apesar das imensas dificuldades. Veja o documento oficial  (8p, em ingles, marco 2013)  com os nove eixos estratégicos aprovados na reunião de Abidjan. Fiz um comentário de 3 paginas, vejam aqui (L. Dowbor)

16 de abril de 2013 at 13:22 Deixe um comentário

O que as democracias do Ocidente escondem nos paraísos fiscais – Eduardo Febbro – abril – 2013, 3p.

A crise financeira mundial está permitindo que apareçam as dimensões reais do caos financeiro instalado. Desde a liquidação, por Reagan e Thatcher, das leis que regulavam o sistema, gerou-se um sistema desgovernado. A conectividade planetária que as TICs permitem, por outro lado, permitiu a expansão de um espaço planetário de volatilidade do dinheiro, e na ausência de um banco central mundial, os bancos centrais dispersos em 194 países ficam simplesmente impotentes. Não à toa, a publicação Finance&Development do FMI colocou na capa a manchete “Who’s in charge?”. O lado positivo é que se abriu o espaço para revelar o sistema. Há uma convergência rigorosa entre a pesquisa do ETH da Suiça, que mostra que 147 grupos controlam 40% do sistema corporativo mundial, três quartos deles grupos de intermediação financeira. A pesquisa da Tax Justice Network, por outro lado, mostrou que o dinheiro em paraísos fiscais (evasão fiscal, drogas, armas, corrupção) ultrapassa 20 trilhões de dólares (cerca de um terço do PIB mundial, valor assumido pelo Economist de16 feb 2013 como mais provável). Os dados levantados pelo ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists), dão pela primeira vez listas de empresas e fortunas familiares em paraísos fiscais, na linha do Offshore Leaks. Já não há mais dúvidas sobre a dimensão da ilegalidade generalizada e planetária que se instalou no sistema financeiro. O artigo abaixo apresenta dados do Offshore Leaks. Para a pesquisa do ETH e da Tax Justice Network veja notas no http://dowbor.org. (L. Dowbor)

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16 de abril de 2013 at 13:09 Deixe um comentário

L’Afrique dans le sillage des grands états émergents – Carlos Lopes – março – 2013, 14p.

Carlos Lopes, qui dirige actuellement la Commission Economique pour l’Afrique, nous envoie un excellent article qui propose une révision du concept de la planification, en passant par les expériences de la Chine, du Brésil, de l’Inde et de Singapour. Au delà du “consensus” libéral, et des timides tentatives de régulation par l’Etat, il s’agit de repenser la planification en tant qu’instrument essentiel de l’organisation du développement: “La planification, aujourd’hui, ne doit pas se limiter à la stratégie, elle doit aussi porter sur l’inter-connectivité, la connaissance, les techniques de crowd-sourcing et les autres avancées issues des technologies de l’information qui ont fait émerger des conditions sans précédent de gouvernance participative.” (La version anglaise de ce texte doit paraître prochainement – L. Dowbor)

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18 de março de 2013 at 20:23 Deixe um comentário

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