Crise internacional e desenvolvimento local (Juarez de Paula)

9 de maio de 2009 at 14:30 3 comentários

Por Juarez de Paula

A origem da crise

A atual crise financeira internacional teve sua origem no mercado imobiliário dos EUA. A manutenção de baixas taxas de juros por um período prolongado – pelo menos desde os atentados de 11 de setembro de 2001 – como medida de combate ao risco de recessão econômica, permitiu a expansão acentuada do crédito e o conseqüente aumento da demanda interna de consumo. A elevada liquidez interna, combinada com as facilidades de concessão de crédito e com a completa ausência de regulamentação do mercado financeiro, possibilitou o surgimento de operações imobiliárias de alto risco.

Corretoras imobiliárias passaram a ofertar, em parceria com bancos, crédito para aquisição de imóveis em condições muito facilitadas, cujos tomadores não precisavam comprovar renda nem oferecer garantias. Os compradores assumiram dívidas na expectativa da rápida valorização dos imóveis, que poderiam ser vendidos no curto prazo, assegurando o pagamento de financiamentos de longo prazo e gerando ganhos. Os corretores, remunerados por comissões baseadas no valor das operações realizadas, tinham total interesse em facilitar a realização do maior número possível de operações.

Estes contratos foram denominados de “sub-prime”. O crescimento das carteiras de contratos “sub-prime” nos bancos, levou-os a buscar a securitização das dívidas, de modo a reduzir suas margens de risco contra eventuais inadimplências. Assim, os bancos passaram a negociar títulos lastreados nos valores dos contratos “sub-prime”, repassando tais títulos no mercado financeiro, seja para seguradoras, seja para fundos de investimento, incluindo fundos de pensão.

Para os compradores destes títulos, tratava-se de uma operação de risco, todavia, no mercado financeiro, quanto maior o risco, maiores as taxas de retorno. Tudo ficaria bem, desde que os imóveis seguissem se valorizando e desde que o mercado continuasse aquecido. Além disso, os títulos foram classificados favoravelmente pelas agências de análise de risco que orientam os investidores no mercado financeiro. A “bolha” cresceu, até meados de 2007.

A partir de então, progressivamente, o mercado de imóveis desaqueceu, muitos compradores não conseguiram revender suas propriedades e consequentemente entraram em inadimplência, pois não tinham nem renda, nem garantias para cobrir seus empréstimos. Os bancos começaram a retomar os imóveis, mas ao colocá-los à venda novamente, aumentando a oferta, contribuíram para forçar a queda dos preços, o que resultou na elevação da inadimplência nos contratos “sub-prime”. Foi assim que a “bolha” estourou, em meados de 2008.

A inadimplência dos contratos “sub-prime”, que serviam de lastro para títulos negociados no mercado financeiro, fez com que esses papéis “micassem”, ou seja, perdessem seu valor, o que levou a enormes prejuízos nas empresas seguradoras, nos fundos de investimentos e nos fundos de pensão, não só nos EUA, mas em diversos mercados.

Foi então que diversos agentes financeiros começaram a tornar públicos seus prejuízos, resultando na falência de grandes empresas de garantia de crédito imobiliário, de grandes bancos e de grandes empresas seguradoras, o que provocou intervenções governamentais em quase todos os mercados, para evitar o colapso generalizado do sistema bancário.

A desconfiança se espalhou pelos mercados financeiros, elevando a aversão ao risco, provocando uma crise de liquidez e o conseqüente colapso do crédito, a ponto de afetar os investimentos e o capital de giro das empresas, criando assim repercussões na economia real. A economia dos países desenvolvidos, em sua quase totalidade, entrou em recessão. A única exceção é o Canadá, cujo sistema financeiro baseado em bancos locais e em cooperativas de crédito é pouco afeito à especulação, preferindo aplicar a poupança local em negócios produtivos que gerem empregos locais.

As repercussões sociais da crise financeira internacional são significativas, seja pelo prejuízo na poupança dos pequenos investidores do mercado financeiro, seja pelo desemprego resultante do desaquecimento econômico.

A extensão da crise

A crise não é mais apenas financeira. Contaminou a economia real. A redução da liquidez e do crédito afetou o consumo. As grandes empresas reduziram a produção, deram férias coletivas ou demitiram contingentes importantes de trabalhadores. Muitos países entraram em recessão. Outros terão redução no ritmo de crescimento.

A extensão da crise não é completamente previsível. O governo dos EUA aprovou um primeiro pacote de 850 bilhões de dólares (6% do PIB) para saneamento do setor financeiro e depois um segundo pacote de 787 bilhões de dólares (5% do PIB) para ações de combate à recessão. A China adotou um pacote de 586 bilhões de dólares (16% do PIB) para ações de combate à recessão. A Inglaterra aprovou um pacote de 450 bilhões de dólares (21% do PIB) para saneamento do setor financeiro. A Rússia aprovou um pacote de 157 bilhões de dólares (12% do PIB) para socorro aos bancos. A Alemanha aprovou um pacote de 151 bilhões de dólares (7% do PIB) para socorro aos bancos. A Espanha aprovou um pacote de 111 bilhões de dólares (8% do PIB) para socorro aos bancos e combate à recessão. A Coréia do Sul aprovou um pacote de 80 bilhões de dólares (9% do PIB) para ações de combate à recessão. O Japão soma 68 bilhões de dólares (1% do PIB) em dois pacotes de combate à recessão. A Suíça aprovou um pacote de 66 bilhões de dólares (15% do PIB) para socorro aos bancos e combate à recessão. A França aprovou um pacote de 50 bilhões de dólares (2% do PIB) para socorro aos bancos. A Índia aprovou um pacote de 41 bilhões de dólares (5% do PIB) para ampliação do crédito.

Os bancos centrais dos EUA, União Européia, Japão e Austrália injetaram 300 bilhões de dólares para garantir a liquidez do sistema bancário. Ainda assim, não estão descartadas novas possibilidades de intervenção estatal nos mercados.

O desemprego já é uma realidade. Nos EUA, epicentro da crise, 3,6 milhões de trabalhadores já foram demitidos. A Organização Internacional do Trabalho – OIT estima que até o final de 2009 a crise provocará a perda de 50 milhões de postos de trabalho. Isso representa sérios riscos de convulsão social e agravamento da xenofobia em diversos países. O governo da Islândia caiu em janeiro, em meio a protestos populares, obrigando uma antecipação das eleições. Aconteceram manifestações populares significativas em diversos outros países, tais como: Inglaterra, França, Grécia, Bulgária, Letônia, Chile, Colômbia. A crise é estrutural e sistêmica.

Os impactos da crise no Brasil

Desde outubro de 2008, quando a crise financeira internacional se tornou uma realidade inconteste, as repercussões na economia brasileira têm sido suavizadas pelas conquistas acumuladas desde 2003, o que, de início, causou a impressão de que o país poderia resistir e se manter “descolado” do fenômeno mundial.

A princípio, nenhum banco brasileiro foi atingido, salvo alguns bancos pequenos e financeiras, que atuavam com operações de crédito consignado (com desconto compulsório em conta corrente) ou com financiamento de compras de bens duráveis e veículos. Estes bancos e financeiras captavam fundos no mercado internacional. A crise de liquidez e o colapso do crédito no sistema financeiro internacional fizeram com que as fontes secassem. Assim, estes bancos e financeiras ficaram sem “funding”. Na maioria dos casos, estas carteiras de crédito foram compradas por bancos maiores, sem riscos sistêmicos.

Nas grandes empresas, apenas a Sadia (760 milhões de reais), a Aracruz (1,95 bilhão de reais) e a Votorantim (2,2 bilhões de reais) acusaram o golpe de grandes perdas no mercado de títulos financeiros. Todavia, todas cobriram suas perdas com a venda de ativos, sem riscos de falência. Outras empresas, como a Petrobras e a Vale, tiveram reduções significativas de faturamento, seja pela queda do preço internacional do petróleo, seja pela redução na demanda mundial de minério de ferro, em razão da recessão. Entre os fundos de pensão, apenas a PREVI, dos funcionários do Banco do Brasil, acusou a perda de 10 bilhões de reais no mercado financeiro.

As políticas de elevação do valor do salário-mínimo, associadas às políticas de proteção social – a exemplo do Programa Bolsa-Família – mantidas desde 2003, resultaram no crescimento da renda e do consumo das classes C, D e E, colaborando para manter a demanda interna aquecida, o crescimento da produção e da oferta de empregos.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas – FGV, no período entre 2004 e 2008, as classes A e B (renda superior a R$ 4.491,00) cresceram de 11,6% para 15,5% da população. As classes C (renda entre R$ 1.064,00 e R$ 4.491,00) e D (renda entre R$ 768,00 e 1.064,00) cresceram de 42,2% para 51,8% da população. A classe E (renda abaixo de R$ 768,00) diminuiu de 46,1% para 32,5% da população. Portanto, neste período, houve redução da pobreza e aumento da classe média.

Entretanto, no último trimestre de 2008, a recessão nos países desenvolvidos começou a impactar na redução das nossas exportações. Constatamos, em janeiro de 2009, uma redução de 22,8% nas exportações brasileiras. Além disso, a falta de liquidez no mercado financeiro internacional provocou a redução do crédito, impactando negativamente no capital de giro das empresas e no consumo. As grandes empresas começaram a dar férias coletivas ou a demitir, como medida preventiva de redução de custos. Já em dezembro de 2008, o saldo entre contratações e demissões mostrou que os índices de desemprego sofreram elevação acentuada (600 mil postos de trabalho a menos), tendência que se confirmou em janeiro de 2009 (100 mil postos de trabalho a menos). Menos emprego significa menor renda e menor consumo, o que pode ser o início de um processo de redução da atividade econômica, levando à recessão.

A reação do Governo brasileiro se traduziu na adoção de “medidas anti-cíclicas” com o objetivo de aumentar a oferta de crédito, manter os empregos, manter o consumo, manter os investimentos públicos e restaurar a confiança no crescimento econômico. Para isso, o Governo reduziu o montante dos depósitos compulsórios que os bancos precisam deixar no Banco Central, de modo a elevar a disponibilidade de crédito; reduziu o IPI para veículos novos; aumentou a oferta de crédito para comercialização de veículos usados; aumentou o crédito imobiliário para famílias de menor renda e manteve todos os investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC.

Todavia, tais medidas tiveram pouco impacto sobre as micro e pequenas empresas, que representam 99% das empresas existentes, 60% dos empregos e 26% da massa salarial do país.

Diante do desafio de crescer pelo menos 4% ao ano apenas para incorporar a população que ingressa no mercado de trabalho, as previsões de crescimento do PIB no patamar de 2,5% não parecem nada animadoras.

As oportunidades para superar a crise

O Brasil, seguramente, é o país da América Latina em melhor condição para enfrentar a crise financeira internacional. Não há endividamento público em moeda estrangeira. Temos reservas elevadas em dólar, o que nos permite dispor de meios para manter a solvência dos pagamentos das dívidas privadas sem elevar a especulação monetária. Temos margem para redução significativa da taxa de juros, sem alimentar o risco de inflação. Temos um mercado interno de grandes dimensões (o 5° do mundo em poder de compra), ainda em condições de se expandir, ao contrário dos mercados “maduros” dos países desenvolvidos, que já chegaram ao limite de sua capacidade de crescimento.

A tarefa, no momento, é manter a demanda interna aquecida, ou seja, manter o consumo, de modo a defender os empregos e a renda. Para isso, é importante apostar nos pequenos negócios e na difusão do empreendedorismo. Precisamos aprender com Muhammad Yunus (criador do Grameen Bank, em Bangladesh) que nos diz: “As escolas deveriam formar criadores de vagas e não procuradores de empregos”. Além disso, a exemplo de Prahalad (doutor em administração por Harvard), precisamos começar a compreender “a riqueza na base da pirâmide”. Talvez seja o caminho mais rápido para superar a crise, gerando inclusão social. Precisamos de um novo olhar, que identifique e valorize as oportunidades nos pequenos negócios.

Por exemplo, no setor do agronegócio, maior responsável pelos saldos positivos da nossa balança comercial, o risco está na redução das importações dos países desenvolvidos, derivada da recessão, o que pode afetar negativamente nossas exportações. A oportunidade está na possibilidade de ampliação e diversificação das nossas exportações para outros destinos, consolidando a tendência atual de redução das exportações para EUA e União Européia e ampliação das exportações para a Ásia, Oriente Médio e África. Além disso, a diversificação de nossa pauta de exportações pode e deve estimular a inserção dos pequenos negócios no comércio internacional.

Essa reorientação no destino das exportações brasileiras deveria se fazer acompanhar pelo esforço em agregar mais valor aos nossos produtos. Contrariamente aos EUA e União Européia, que sempre preferiram importar nossos produtos “in natura” para posterior industrialização, temos a possibilidade de oferecer produtos transformados e beneficiados para os países da Ásia, Oriente Médio e África, evitando a exportação de empregos. Além disso, é preciso uma ação agressiva de inteligência comercial e de promoção dos produtos brasileiros nesses mercados. Não é hora de reduzir nossa participação em feiras internacionais. Pelo contrário, é na crise que devemos pretender ampliar nossa participação no mercado, ganhando terreno sobre os concorrentes, pois é justamente no agronegócio onde reunimos nossas melhores condições de competitividade.

No setor industrial, é preciso observar com mais atenção a demanda tecnológica e de bens de produção para as micro e pequenas empresas. A indústria de tratores e implementos agrícolas, por exemplo, que já começa a dar sinais de crise, deveria dar mais atenção às demandas da agricultura familiar. A indústria de bens de produção para o setor sucro-alcooleiro, que já sente o reflexo do cancelamento de investimentos para instalação de novas unidades, deveria desenvolver equipamentos de menor porte, para plantas industriais capazes de serem implementadas por cooperativas de pequenos produtores.

A indústria aeronáutica, que depende fortemente de encomendas internacionais, cujo volume já está em declínio, deveria buscar junto ao BNDES a criação de linhas de financiamento para aquisição de aeronaves de porte médio e de fomento para empresas aéreas regionais, criando um novo mercado que inclusive contribuiria para reduzir o oligopólio atual, aumentando potencialmente as condições de concorrência e a melhoria na qualidade dos serviços. As empresas aéreas brasileiras compram aeronaves fabricadas fora do país, quando somos o melhor produtor mundial de aeronaves de porte médio. Enquanto exportamos empregos neste setor, a Embraer anuncia a demissão de 4.270 trabalhadores, numa atividade que exige força de trabalho altamente qualificada.

O Brasil tem um déficit habitacional de 8 milhões de moradias. Ainda temos 53% da população sem saneamento. Isso representa um enorme potencial de crescimento para a indústria da construção civil, desde que se voltasse para o mercado de menor renda.

No setor de comércio e serviços, quanto há por fazer apenas na área de educação? Qual o nosso potencial de negócios no setor do entretenimento, cultura e lazer? Quanto podemos e devemos melhorar na área da gastronomia e do turismo?

As oportunidades estão à nossa volta. No entanto, é preciso criar instrumentos que ajudem a “destravar” o potencial empreendedor do povo brasileiro. Não bastam políticas públicas. É preciso acreditar na criatividade, na iniciativa e na capacidade das pessoas. Hoje, temos um mercado excludente. Poucas empresas, produzindo produtos caros, destinados a um pequeno número de consumidores abastados. As regras existentes, em sua quase totalidade, são para criar “barreiras de entrada” e proteger o mercado para quem já se estabeleceu.

Temos que seguir na direção contrária. Assim como fomos capazes de avançar em direção a uma democracia política, a despeito de suas inúmeras e conhecidas imperfeições, precisamos ser capazes também de avançar em direção a uma democracia econômica, nos termos propostos por Ladislau Dowbor (professor de pós-graduação em economia e administração da PUC/SP).

Instrumentos como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e o inovador conceito de Micro-Empreendedor Individual – MEI são iniciativas importantes e ainda pouco conhecidas que permitem a criação de um ambiente mais favorável ao empreendedorismo e aos pequenos negócios. É preciso insistir nessa direção.

O caminho do Desenvolvimento Local

A crise também revela as repercussões espaciais do nosso modelo concentrado e excludente de desenvolvimento. Por exemplo, das demissões ocorridas no Brasil em dezembro de 2008, decorrentes da crise, 44% foram na região metropolitana de São Paulo. As razões são muito evidentes e dispensam maiores explicações.

O Brasil possui apenas 19 regiões metropolitanas com mais de 01 milhão de habitantes. Nelas residem aproximadamente 72 milhões de brasileiros, o que representa 40% da população total. Nelas estão concentradas cerca de 50% da atividade econômica. Nelas se concentram as melhores oportunidades de educação e de emprego, os maiores investimentos públicos e privados, as maiores obras de infra-estrutura, as maiores empresas etc. Todavia, também nelas se concentram os maiores problemas urbanos: desemprego, violência, pobreza, déficit habitacional, trânsito caótico etc.

O Brasil tem 5.564 municípios. Quase 90% destes municípios (4.996) possuem menos de 50 mil habitantes. Neles residem aproximadamente 65 milhões de brasileiros, o que representa 36% da população total.

Podemos observar que os números populacionais são relativamente equivalentes entre as metrópoles e as pequenas cidades brasileiras. Todavia, se pensarmos em termos de investimentos, de políticas públicas, de distribuição tributária, dentre tantos outros aspectos possíveis, podemos facilmente perceber a enorme concentração espacial do desenvolvimento em favor das metrópoles e em detrimento das pequenas cidades.

A riqueza, o poder e o conhecimento estão concentrados nas metrópoles. O mercado está concentrado nas metrópoles. Consequentemente, elas exercem um enorme poder de atração. As pessoas mais talentosas, mais inquietas, mais ousadas, tendem a buscar oportunidades nestes centros de atração. É assim que as pequenas cidades perdem seus melhores empreendedores, comprometendo ainda mais suas possibilidades de desenvolvimento.

Entretanto, mesmo concentrando tantos recursos humanos, materiais e simbólicos, as metrópoles não conseguiram produzir soluções satisfatórias para a maior parte dos seus problemas, como também não conseguiram assegurar qualidade de vida para a maior parte dos seus habitantes. Não seria o momento de olhar as pequenas cidades como um outro caminho para um modelo de desenvolvimento humano, social e sustentável? Um desenvolvimento econômico e social includente?

Promover o desenvolvimento local é o principal desafio do mundo contemporâneo. Como traduzir as conquistas científicas e tecnológicas da humanidade em qualidade de vida para todos? Como gerar oportunidades de trabalho e renda que permitam o acesso aos bens de consumo para todos? Como despertar, em cada um, o protagonismo necessário para que sejamos sujeitos do nosso destino? Como estimular a criação de espaços coletivos onde possamos compartilhar o planejamento e a gestão dos projetos que nos levarão ao nosso futuro desejado? Como realizar tudo isso ali onde efetivamente vivemos, onde nos relacionamos com as outras pessoas e com a natureza, no nosso lugar, no nosso território?

Talvez se conseguirmos pensar a partir de novos paradigmas, invertendo prioridades, dando mais atenção aos pequenos negócios e às pequenas cidades, possamos inventar uma saída para a crise, uma saída includente e sustentável, que não seja apenas um momento e um espaço de acumulação e concentração, até o advento da próxima crise. Talvez seja essa a maior lição a ser aprendida.

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A crise: janela de oportunidade para os países tropicais? (Ignacy Sachs) Oportunidades na Crise (Juarez de Paula)

3 Comentários Add your own

  • 1. Ladislau Dowbor  |  29 de março de 2009 às 3:25

    Muito bom este artigo do Juarez. Simples e direto, cruza pequena produção com desenvolvimento local, democracia política com democracia econômica e a busca dos equilibrios.

    Gostaria de destacar o trecho presente no final do subtítulo “Oportunidades para superar a crise”:

    “Hoje, temos um mercado excludente. Poucas empresas, produzindo produtos caros, destinados a um pequeno número de consumidores abastados. As regras existentes, em sua quase totalidade, são para criar “barreiras de entrada” e proteger o mercado para quem já se estabeleceu”

    Um abraço,
    Ladislau

    Responder
  • 2. marioferreira  |  29 de setembro de 2009 às 19:34

    Prezado Juarez,

    Se me permite gostaria só de fazer um pequeno comentário sobre o parágrafo abaixo:

    “..Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas – FGV, no período entre 2004 e 2008, as classes A e B (renda superior a R$ 4.491,00) cresceram de 11,6% para 15,5% da população. As classes C (renda entre R$ 1.064,00 e R$ 4.491,00) e D (renda entre R$ 768,00 e 1.064,00) cresceram de 42,2% para 51,8% da população. A classe E (renda abaixo de R$ 768,00) diminuiu de 46,1% para 32,5% da população. Portanto, neste período, houve redução da pobreza e aumento da classe média…”

    Números são algo muito traiçoeiros, dependendo do modo de análise.
    A minha interpretação dos dados da FGV, são que a classe A e B, e a E cresceram mais do que a classe média, em valores relativos. Logo, se analisarmos o crescimento dos três grupos, observamos que a classe media foi a mais “achatada”. Isto sem entrar em maiores detalhes de como foi composto esse índice da classe E…

    Um abraço,
    Mário Luís Tavares Ferreira
    Um fervoroso defensor do desenvolvimento regional como modo de diminuir as desigualdades, de ter uma oportunidade de uma vida digna e do fim dos currais eleitorais.

    Responder
  • 3. Juarez de Paula  |  30 de setembro de 2009 às 13:12

    Prezado Mario Ferreira,

    Concordo com você que dados estatísticos permitem muitas formas de interpretação e análise. Todavia, tanto Marcelo Neri, da FGV (um dos principais estudiosos brasileiros do tema) quanto Marcio Pochmann, do IPEA, têm divulgado pesquisas recentes que demonstram o crescimento da renda das classes C, D e E, a redução da pobreza e da desigualdade nos últimos anos.

    O que pretendi destacar é a idéia que está no parágrafo anterior, que explica, em grande medida, os reduzidos impactos da crise financeira internacional no Brasil: “As políticas de elevação do valor do salário-mínimo, associadas às políticas de proteção social – a exemplo do Programa Bolsa-Família – mantidas desde 2003, resultaram no crescimento da renda e do consumo das classes C, D e E, colaborando para manter a demanda interna aquecida, o crescimento da produção e da oferta de empregos.”

    Agradeço seu comentário.

    Responder

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