Nota sobre o Relatório da Conferência da ONU sobre a Crise* (Ladislau Dowbor) 

2 de julho de 2009 at 17:31 2 comentários

Por Ladislau Dowbor, 30 de junho de 2009

La Crisis representa “una importante oportunidad de efectuar cambios significativos(…). En adelante, nuestra respuesta debe centrarse en la creación de empleo, el aumento de la prosperidad, el mejoramiento del acceso a la salud y a la educación, la corrección de los desequilibrios, la formulación y utilización de vías de desarrollo sostenibles desde los puntos de vista ecológico y social y la adopción de una clara perspectiva de género. Nuestra respuesta también debe reforzar las bases de una globalización justa, inclusiva y sostenible, apoyada en un multilateralismo renovado.”(10)

A nota acima, extraída do Relatório, dá uma idéia da ampla visão de resposta à crise, muito além da dimensão financeira. A amplitude da visão fragiliza, por outro lado, a praticidade das medidas. De toda forma, pelo peso da instituição, é importante ter uma idéia geral do documento, mesmo que seja provisório e comedido. Como o documento, com 16 p., é bastante curto, e disponível no link abaixo, apontamos aqui apenas alguns pontos que nos pareceram mais relevantes.

O relatório afirma a gravidade da crise: “El mundo se enfrenta a la peor crisis financiera y económica que se há registrado desde la Gran Depresión.” Busca também resgatar o papel das Nações Unidas no processos: “Las Naciones Unidas, dadas su composición y legitimidad universales, están bien posicionadas para participar en los diversos procesos de reforma encaminados a mejorar y fortalecer el eficaz funcionamiento de la arquitectura y el sistema financieros internacionales.”(2)

Ponto importante, articula a crise financeira com o conjunto de ameaças que temos no horizonte:

“Esta crisis está vinculada a múltiples crisis y problemas globales interrelacionados, como el aumento de la inseguridad alimentaria, la volatilidad de los precios de la energía y los productos básicos y el cambio climático, así como la falta de resultados que ha habido, hasta ahora, en las negociaciones comerciales multilaterales y la pérdida de confianza en el sistema económico internacional.” (7)

Ou seja, aponta para a dimensão sistêmica da crise, com impacto tanto econômico (queda de 2,6% do PIB mundial projetada para 2009) como social (fome e subnutrição deverão atingir mais de um bilhão de pessoas).

Os impactos da crise estão bem resumidos:(8)

“En todo el planeta la crisis ha tenido efectos graves y de amplio alcance, pero diferenciados, o los ha agudizado. Desde que comenzó, numerosos Estados han informado de sus efectos negativos, que varían según el país, la región y el nivel de de desarrollo y de gravedad, y que abarcan, entre otros, los siguientes:


• Incremento rápido del desempleo, la pobreza y el hambre
• Desaceleración del crecimiento, contracción económica
• Efectos negativos en las balanzas comerciales y la balanza de pagos
• Disminución de los niveles de inversión extranjera directa
• Fluctuaciones amplias e inestables de los tipos de cambio
• Aumento de los déficits presupuestarios, caída de las recaudaciones fiscales y reducción del margen fiscal
• Contracción del comercio mundial
• Mayor volatilidad y caída de los precios de los productos básicos
• Disminución de las remesas a los países en desarrollo
• Reducción brusca de los ingresos del turismo
• Inversión generalizada de las corrientes de capital privado
• Menor acceso a los créditos y a la financiación del comercio
• Menor confianza del público en las instituciones financieras
• Reducción de la capacidad de mantener redes de seguridad social y prestar otros servicios sociales, como los de salud y educación
• Incremento de la mortalidad infantil y materna
• Derrumbe de los mercados inmobiliarios

A lista de medidas a serem tomadas, qualificadas de “decisivas e imediatas”, é extremamente geral: (11)

“Nos comprometemos a colaborar de manera solidaria para dar una respuesta mundial coordinada y amplia a la crisis y a adoptar medidas encaminadas, entre otras cosas, a:

• Restablecer la confianza, reactivar el crecimiento económico y crear empleo pleno y productivo y trabajo decente para todos
• Salvaguardar los beneficios económicos, sociales y de desarrollo
• Prestar apoyo suficiente a los países en desarrollo para que puedan afrontar los efectos humanos y sociales de la crisis a fin de preservar y consolidar los beneficios económicos y de desarrollo que tanto les ha costado conseguir, incluidos los progresos alcanzados en el logro de los Objetivos de Desarrollo del Milenio
• Asegurar la sostenibilidad de la deuda de los países en desarrollo a largo plazo
• Tratar de proporcionar a los países en desarrollo suficientes recursos para el desarrollo sin imponer condiciones injustificadas
• Reconstruir la confianza en el sector financiero y restablecer el crédito
• Promover y revitalizar un comercio y una inversión abiertos y rechazar el
proteccionismo
• Fomentar una recuperación inclusiva, ecológica y sostenible y seguir
prestando apoyo a los esfuerzos que despliegan los países en desarrollo para lograr el desarrollo sostenible
• Reforzar la función del sistema de las Naciones Unidas para el desarrollo en la respuesta a la crisis económica y sus efectos en el desarrollo
• Reformar y reforzar el sistema y la estructura financieros y económicos
internacionales, según corresponda, para adaptarlos a los desafíos actuales
• Promover la buena gobernanza a todos los niveles, incluso en las instituciones financieras y los mercados financieros internacionales
• Afrontar los efectos humanos y sociales de la crisis.

Em termos da regulação, o documento aponta para a gravidade do “excesso de confiança nos mecanismos de autoregulação do mercado”, e para a necessidade de se resgatar o papel do Estado, afirmando “la necesidad de una intervención más efectiva por parte del Gobierno para lograr un equilibrio apropiado entre el interés del mercado y el interés público.”(9).

“Estamos todos juntos nesta crise”, afirma o relatório, o que tem uma certa dimensão irônica, pois na fase dos ganhos financeiros evidentemente não estávamos. Mas de toda maneira, é real a visão global do processo: “La crisis actual ha revelado cuán integradas están nuestras economías, cuán indivisible es nuestro bienestar colectivo y lo insostenible que resulta centrarse de forma prioritaria en los beneficios a corto plazo.”(42)

Portanto, visão sistêmica, articulação das dimensões econômica, social e ambiental, prioridade à geração de empregos (“job-intensive recovery from the crisis”), visão de longo prazo, menos dependência do mercado, reforço do Estado. São grandes eixos, e seria difícil pedir demais de uma instituição multilateral onde cada documento deve recolher uma amplíssima gama de apoios. Mas a visão ajuda a deslocar as dimensões estreitas dos que vêm na crise apenas um problema de regulação financeira.

(*) Conferência sobre a crise financeira e econômica mundial e seus efeitos no desenvolvimento – Distr. Geral, 22 de junho de 2009. Os números entre parêntesis representam o parágrafo do Relatório. O Relatório, provisório está disponível no site da ONU em inglês (original) e em espanhol:

» Clique aqui para ler o documento em inglês (original)

» Clique aqui para ler o documento em espanhol

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Conference on the World Financial and Economic Crisis and Its Impact on Development (Relatório da ONU)  Vantagens da Justiça Fiscal (Amir Khair)

2 Comentários Add your own

  • 1. mirian morales nogueira gonçalves  |  16 de julho de 2009 às 10:53

    Prezados sehores; A criação do Blog Crise e Oportunidade com autores de referência, conceituados, oportunizou acesso a artigos fundamentais para a compreensão da atual etapa do Capitalismo Mundializado e das saídas possíveis desta crise que está trazendo prejuízo a uma grande parcela da humanidade. Grata pela iniciativa, tenho feito uso dos artigos em sala de aula. Sou professora da UNiversidade da Região de Joinville no curso de Administração de Empresas. Atenciosamente, Prof. Mirian

    Responder
  • 2. Ladislau Dowbor  |  2 de setembro de 2009 às 11:08

    Miriam, ótimo o seu interesse, é uma construção que nos interessa a todos. Um abraço, Ladislau

    Responder

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